.O Raízes Notícias teve acesso exclusivo a documentos judiciais que revelam que Cristina Nascimento de Jesus, acusada de deixar quatro crianças sozinhas em casa antes de um incêndio que resultou na morte de três delas, em Serrinha, na região sisaleira da Bahia, está em liberdade desde o dia 18 de agosto de 2026.
O documento obtido pela jornalista Rafaela Rodrigues confirma a expedição do alvará de soltura em favor de Cristina. A certidão foi emitida pela 1ª Vara Criminal, do Júri e das Execuções Penais da Comarca de Serrinha.
Cristina estava custodiada no Conjunto Penal de Feira de Santana. Com a revogação da prisão preventiva, ela deixou a unidade prisional e, conforme informações obtidas pela reportagem, atualmente reside no município de Monte Santo, também na Bahia.
Justiça estabeleceu medidas cautelares
De acordo com a documentação judicial analisada pela reportagem, a revogação da prisão preventiva foi acompanhada da imposição de medidas cautelares que deverão ser cumpridas pela acusada durante o andamento do processo.
Entre as determinações estão o comparecimento mensal em juízo, a proibição de manter contato com a criança sobrevivente e a restrição de aproximação do local onde ela está acolhida.
A decisão também estabelece que Cristina não poderá permanecer fora da comarca por mais de oito dias sem comunicação prévia ao Judiciário. Além disso, ela deverá comparecer aos atos processuais para os quais for intimada e manter o endereço atualizado perante a Justiça.
O eventual descumprimento injustificado das medidas poderá resultar na adoção de novas providências judiciais, inclusive na possibilidade de decretação de uma nova prisão preventiva, desde que presentes os requisitos legais.
A revogação da prisão preventiva não significa absolvição. Cristina continua respondendo à ação penal, e as acusações deverão ser examinadas durante o processo, com garantia do contraditório e da ampla defesa.
O caso
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), o incêndio ocorreu na residência da família, em Serrinha, entre os dias 2 e 3 de maio de 2026.
A acusação sustenta que quatro crianças ficaram sozinhas no imóvel durante a ausência da mãe. Conforme a versão apresentada pelo Ministério Público, o fogo teria começado depois que as crianças encontraram um isqueiro e passaram a brincar com o objeto.
Três crianças morreram em decorrência do incêndio, enquanto uma sobreviveu.
O Ministério Público denunciou Cristina por três supostos crimes de abandono de incapaz com resultado de morte e por um crime de abandono de incapaz relacionado à criança sobrevivente, conforme o enquadramento descrito na denúncia.
A acusação foi recebida pela Justiça, e o processo segue em tramitação. A responsabilidade criminal da acusada ainda deverá ser definida judicialmente.
Familiares manifestam indignação com a soltura
A notícia de que Cristina está em liberdade provocou indignação entre familiares das crianças mortas no incêndio.
Em conversa com a jornalista Rafaela Rodrigues, do Raízes Notícias, uma das tias paternas das vítimas demonstrou revolta com a decisão judicial e classificou a situação como um absurdo.
“É difícil acreditar em uma situação dessas. É revoltante saber que, diante de uma tragédia que tirou a vida de três crianças, ela está em liberdade. É uma dor muito grande para a família, que ainda sofre com tudo o que aconteceu”, teria dito a tia paterna das vítimas
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